quarta-feira, 7 de março de 2012

My Teenage Dream

   Quem nunca teve um amor platônico que atire a primeira pedra. Você aí, vasculhe suas memórias. Certamente teve um (a) professor (a), vizinho (a). Algum ator ou atriz famosos, o irmão mais velho da sua melhor amiga, o entregador de pizza... Imaginou em menos de um minuto que era correspondido (a), namoravam, casavam, vinham os filhos, envelheciam e partilhavam a mesma cova na morte. Não minta, sei que passou por isso. Comigo não foi diferente.
   Meu sonho adolescente cantava numa banda de rock alternativo não muito conhecida. Tinha treze anos quando ouvi sua voz pela primeira vez. À procura da pessoa dona de voz tão especial, a vi na televisão protestando contra George W. Bush. Fiquei, como é mesmo que dizem? ah, sem chão. Cabelos compridos quase na altura dos ombros, olhos castanhos, pele levemente amorenada, corpo perfeito, com um sorriso que me deixou encantada. Logo descobri que o cara se chamava Brandon, e sua banda, Incubus. Daquele momento em diante passei a viver somente de fantasia.
   Era uma recém chegada no mundo da adolescência, porém já me sentia quatorze anos mais velha - nossa diferença de idade -. Comecei a me vestir de um jeito mais adulto, tentei aprender a tocar violão - um desastre completo, o que não me impediu de persistir tentando -. Passei a praticar inglês sozinha de uma maneira obcessiva, ouvir PJ Harvey (não me arrependo), investi nos meus desenhos... até meus hábitos de leitura tentei mudar. Tudo para quando finalmente conhecesse o carinha dos meus sonhos e ele visse que ali se encontrava sua alma gêmea. Já tinha imaginado como nosso primeiro encontro seria. Moraríamos no mesmo prédio, e viveríamos nos esbarrando pelos corredores. Aí um dia deixaria cair alguns trabalhos meus, lindos desenhos com traços semelhantes aos de suas obras de arte. Ele ficaria interessado nas minhas criações, e repararia no quanto era bela e meu sorriso radiante. Então me convidaria para ir em sua casa para olhar alguns de seus trabalhos (como se já não tivesse visto mil vezes!), e eu lógicamente aceitaria, fingindo timidez.
   Esse seria definitivamente o começo de tudo. Logo viria o namoro, a compreensão e apoio nas viagens em turnê da banda. Nossos laços seriam tão firmes que muitas vezes o acompanharia nessas viagens por não suportarmos ficar longe um do outro. O amor cresceria tanto que logo estaríamos casados, comprando uma casa afastada da cidade, com um lindo pomar e um balanço. Faria maravilhosas refeições para nós e depois do jantar deitaríamos na grama para ver as estrelas. Ele cantaria Stellar em meu ouvido e abraçados, dormiríamos sob o luar nas noites quentes. Tomaríamos banhos de chuva nos fins de tarde tempestuosos do verão. E ao sentir-me enjoada, com muita alegria saberíamos que nosso primeiro filho estava a caminho. Teríamos nosso ateliê e uma livraria, negócio pequeno, apenas por passatempo. Assim via minha vida aos treze anos. Pura fantasia.
   Passado algum tempo fui amadurecendo em muita coisa. Vi o ridículo, a infantilidade de minhas idéias. Porém não abandonei o pensamento de que o conheceria um dia. Apenas caí na real de que era o máximo que conseguiria. Isso tudo no terreno das hipóteses, sem devaneios adolescentes. Meu coração endureceu desde então e não quis saber de ninguém mais. Não era mais a guria boba, mais uma a derreter-se pelo belo Brandon Boyd. Namorei apenas uma vez, fazendo as vontades de todos, menos as minhas. Relacionamento desastroso, que só me fez querer mais distância de compromisso com alguém. Mesmo engajada em trabalhos sociais, cursando pré-vestibular, sempre pensava nele. No seu sorriso e no jeito que mordia o lábio... droga. Quando isso acontecia sempre ficava mais amarga. Sentia-me uma estúpida. Passava a vida mergulhada em meus livros, assim nem sentia o tempo passar.
   E então meu sonho adolescente mudou. Por outra pessoa, muito parecido e muito diferente na mesma medida que meu primeiro amor. Surpreendente para uma mulher de dezoito anos. Sofri muito mais por isso, entendi de verdade o que é gostar de alguém. Porém esse sofrimento foi breve. Descobri que era correspondida, muito além do que poderia sonhar. O amor deixou de ser platônico para tornar-se real, e a beleza disso é impossível de explicar.
   É muito bom sonhar, imaginar coisas impossíveis. Mas entrei na realidade mais linda do mundo. Com algumas recaídas nos últimos anos, finalmente entendi que nunca mais quero perder isso. Ter alguém de verdade que me ama pelo que sou. Então Brandon, foi bom enquanto durou. Você agora é apenas o vocalista da minha banda favorita. Finalmente posso dizer adeus. E sabe o que escuto nesse momento? A Kiss To Send Us Off.

Véspera de Um Falso 28

   Gostava de contrariar. Muitas vezes ela brincava em seus pensamentos que se chamava Antítese. Apesar de causar-lhe inúmeros transtornos com as pessoas, hoje, dia de sua formatura no colégio, não seria diferente. Arrumou-se com perfeição, muito mais do que gostaria, porém a ocasião exigia alguns sacrifícios. Pronta, aguardou pela carona de amigos que estavam para chegar, e então rumaram para a solenidade seguida da esperada festa... com o detalhe de que esta não era a sua formatura, e sim de conhecidos seus.
   No trajeto, lembrava-se com um sorriso de divertimento das discussões causadas pela idéia. Sua mãe ficou furiosa, sem contar a mágoa e o ressentimento de seus amigos mais íntimos. Ela realmente sentia muito, entretanto não podia evitar esses caprichos. Assistiram à colação de grau ansiosos por beber e dançar. A garota ficou um tempo na mesa bebericando sua cerveja e pensando na vida - aos dezoito anos recém-completos, era o que ela mais fazia -. A escolha de não mais prestar o tão sonhado vestibular para medicina mesmo depois de inscrita e de todo o estudo ainda a deixava surpresa. Mas resolvera trabalhar ao invés de estudar, mostrar aos pais que não era a inútil que imaginavam, e conseguira. Estava empregada há poucos dias, e via isso como uma vitória. Porém pegava-se pensando com frequência como seria se a escolha fosse outra. Bobagens, afinal estava feito e de nada adiantava olhar para trás.
   Afastando essas idéias da cabeça, passou a observar as pessoas na festa. Adorava isso, ainda mais depois de ter lido uma obra literária marcante, em que "pegara para si" os hábitos da personagem principal e brincava de imaginar como era a vida das pessoas que observava. Aquele garoto ali, por exemplo, tinha um jeito afeminado, mas tinha namorada. Era tudo de faixada, apostava. Ele encontrava-se com o melhor amigo às escondidas e ambos treinavam as posições do "Kama Sutra Gay". Um rapaz lindo estava por perto, passou por ela exibindo seu melhor sorriso. Sentiu-se lisonjeada, logo notando que a bela visão fazia isso com todas as garotas do lugar. Que idiota, quanto mais lindo mais burro era. Certamente não entendia nada que fosse culto, era a piada entre os amigos. Beleza nunca foi tudo mesmo.
   Quando estava prestes a imaginar como era a vida de uma garota bonitinha de vestido rosa, alguém estala os dedos na sua frente. Ah, lembrou-se. Sua companhia. Havia se esquecido completamente dele, que com tanto orgulho apresentava-se como seu namorado. Nossa, que pretensão. Tava mais para passatempo, ou como chamavam, amizade colorida. Suportou longos momentos de chateação de "tu não presta atenção em mim/como é que tu vem pra uma festa e fica sentada com cara de paisagem/tem que te divertir mais/se eu soubesse antes nem teria vindo". "Já sei, vamos dançar!", ela sugeriu. Péssima idéia, músicas horríveis, que pareciam nunca acabar. Que noite absurdamente ruim, superando muitas outras já vividas. E o pior estava por vir.

   (Continua)

segunda-feira, 5 de março de 2012

Parece Uma Boneca

   Trabalhar no centro da Capital não é algo que posso chamar de emprego bom. Não gosto do cheiro das ruas, não gosto do movimento, do barulho, das pessoas pedindo até nossa alma... Quem me acompanha no Twitter sabe o quanto detesto aquelas ciganas insuportáveis, que insistem ainda por cima em pegar a pessoa pelo braço. No trajeto terminal de ônibus - escritório, vejo gente dos mais variados jeitos. De engravatados a astros de rock, com suas roupas pretas e rasgadas em lugares estratégicos. Nesse centro de Porto Alegre, vemos realmente de tudo (não posso esquecer do memorável episódio da prostituta a R$2,50 na Praça da Alfândega).
   Ontem havia combinado de me encontrar com meu excelentíssimo, o esperaria no mesmo terminal já mencionado. Enquanto aguardo, fico observando as pessoas ao meu redor. É aí que me deparo com algo que me deixa urrando de indignação. Estava ao meu lado mãe e filha pequena, esta não devia ter mais de sete anos. Agora se pergunte, o que tem de mais nisso? A menina estava maquiada, de salto alto e unhas postiças. Curioso foi que minha atenção se prendeu mais nas unhas, aquelas gigantes, quadradas, pintadas de Francesinha! É, meu amigo. Iguaizinhas as das atrizes pornô. Minha vontade foi de perguntar à mãe o que ela tinha na cabeça, porque me desculpem os que acham isso normal, eu considero falta de noção.
   Vi-me a refletir sobre quantas mães fazem isso com suas garotinhas, muitas dessas que passam a infância inscrita em concursos de beleza. Lembrei-me do documentário sobre as cirurgias plásticas a que essas mulheres submetem seres que saíram de seu ventre. Entregam suas crianças ao bisturi. Alegam que é isso que as filhas querem, ser reconhecidas no mundo todo por sua beleza, sonham com vidas luxuosas. Quem de fato deseja tudo isso são os pais, viver às custas de alguém a quem deviam estar amando, cuidando, protegendo e ensinando a serem pessoas decentes, com os dois pés no chão. E desde quando beleza é entupir a cara de base, corretivo e tantos outros artifícios? Que eu me lembre, a beleza já está na gente. Essas máscaras escondem quem a pessoa é, pura enganação. A criatura tem uma cara num momento e assim que a água entra em ação, já tem outra.  Maquiagem já causa danos na pele de mulheres adultas, por toda a química dos produtos. Na pele de uma criança pequena, que estrago deve fazer? E não, maquiagem infantil não existe. Será que não vêem o quanto isso é desumano, ensinando suas menininhas a desde já viver da aparência? Condenando-as a uma vida sem diversão, a todas aquelas brincadeiras divertidas que fizemos durante toda a nossa infância? Pois para elas existe somente a responsabilidade em ganhar concursos, serem adultas. Essas garotinhas assumem o papel de verdadeiras bonecas. Lindas de se ver, não?
   De todas as coisas que posso desejar para mim futuramente, uma das mais importantes é ser uma boa mãe, se um dia tiver filhos. Para as mulheres que já realizaram a façanha de dar à luz, fica meu conselho: cada coisa no seu tempo. Que as suas crianças possam viver a infância com tudo o que esta tem de melhor.


   Texto de Marcela Bezerra
20/10/2011

Só Não Fazer

   Tem gente que me acha antipática, fechada. Talvez tenha razão, não tenho motivo para distribuir sorrisos por aí. Só que tem uma coisa, não sou assim sempre. Todos têm seus dias de sorrisos, e os meus geralmente surgem quando vejo algo cativante. Aqui poderia citar principalmente animais e... bebês. Sim, sou louca por eles, ontem mesmo vi um bebezinho que me apaixonei, queria até levar para casa, se pudesse. Quando os vejo sempre penso em como seria me tornar mãe, se daria conta do recado, faria bem meu papel. Fico somente nos pensamentos, claro, nos meus vinte anos de existência me vejo ainda jovem demais para realizar tal proeza. E é com esta última frase que entro no assunto que quero abordar: pais e filhos.
   O que me motiva a escrever sobre o tema é o fato de ver coisas no meu cotidiano, presenciar cenas que me irritam muito além da "raiva normal" que sinto. Quantas vezes, não somente eu, como qualquer um de vocês teve a infelicidade de presenciar uma cena em que os pais maltratam os filhos no meio da rua, de multidões? Ou os pais que simplesmente fingem não ter filhos e os deixam correr soltos por onde bem entendem? Entre a semana passada e esta, tive o que podemos chamar de "a gota d'água".
   Estava eu, muito apressada, andando pelo Centro de Porto Alegre quando me deparo com um casal muito apaixonado, a moça ocasionalmente dava uma olhadela por trás de si e logo voltava aos abraços e amassos com seu parceiro (hoje em dia a gente nem sabe mais do que chamar: namorado, parceiro, amigo, o que seja...). Quando chego mais perto deles posso ver um garotinho, que devia ter nem três anos, se virando com um copo grande de milk shake, andando todo desengonçado atrás da mãe, que não lhe prestava a menor atenção. Não sei o que me irritou mais, se o fato da mulher deixar seu filho pequeno solto em um dos lugares mais movimentados, agitados e perigosos de nossa Capital, ou se a falta de noção em largar um copo de milk shake na mão da criança. Açúcar puro e nem preciso comentar do tempo frio, os gaúchos sabem. Anteontem, enquanto esperava meu namorado no terminal de ônibus, presenciei uma MÃE fumando em cima do seu filho. Bah, já detesto cigarro, e gente fumando perto de mim, o que dizer dessa mulher. Isso sem contar os pais que arrastam os filhos nas ruas, batendo neles e fazendo escândalo. Gente, vocês acreditam que as pessoas continuam fazendo filhos?
   Poxa, com todos os métodos de prevenção que temos à nossa disposição (e temos mesmo, pois fiz visitas a todos os postos da minha cidade para comprovar esta afirmativa), as palestras que recebemos gratuitamente em muitas instituições, escolas, em sua maioria, nada é suficiente para que se entenda que fazer filho não é brincadeira. Têm mães que dão à luz seus bebês e logo em seguida os joga no lixo. Com tantos casais que sonham em ter filhos e não conseguem, os motivos só Deus sabe, e os pais fazem atrocidades com os seus. Recentemente vimos em todos os jornais sobre o último caso de uma mulher que colocou seu filho fora. Como se fosse uma porcaria que ela não quisesse ou gostasse. Quanta tristeza e indignação sinto por isso. Interrogada pela polícia, a mãe alegou não querer mais um filho. A justiça dos mortais de nada vale, ela, como tantas outras pessoas, terá de prestar contas ao Cara Lá De Cima. E acredito que somente assim será feita a devida justiça.
   Sei que infelizmente essa situação pouco ou nada mudará, e as leis de nosso país contribuem muito para tal, porém digo a todos os que levam suas vidas levianamente: Se não querem filhos, basta não fazê-los. E caso isso venha a acontecer, dêem para a adoção. Farão a vida de inúmeros casais muito mais feliz. Não destruam a vida de um serzinho inocente.

Texto de Marcela Bezerra
06/05/2011
  

Quer Dinheiro? Vá Trabalhar!

   Pensei muito se valeria a pena colocar esse meu ponto de vista aqui. Não que eu sofra do "complexo de cagonilda", com medo das opiniões grosseiras que muitas pessoas têm. Claro, estou totalmente aberta a argumentos contrários aos meus, diferentes. Aceito-os, porém isso dificilmente fará com que modifique o meu pensar a respeito do que for. Tendo esclarecido esse ponto, narrarei aqui algo que me aconteceu essa semana e que definitivamente firmou minha opinião a respeito de esmolas.
   Numa noite, indo para casa, estou no ônibus quando entra um sujeito portador de necessidades especiais. Não enxerga. Circula por todos os veículos de transporte público que passam por Porto Alegre, pedindo dinheiro. Vejo todos os passageiros pegando carteiras e niqueleiras, e percebo ser uma das únicas ali que não mexe um dedo para dar o que seja a esse homem. Estou totalmente alheia ao discurso que este faz, no qual não pede, mas sim exige dinheiro, pelo fato de ser cego. Uma dupla de amigas fica preocupada, as meninas acham que não estão ajudando o senhor só com o que tinham juntado. Escuto sua conversa:
   " - Fulaninha, tem certeza que não tem mais nenhuma moeda sobrando?
   - Já raspei o fundo da carteira, só tem isso mesmo...
   - Ah, coitadinho... ele é cego, não pode trabalhar. Queria poder ajudar mais... "
   Solto um muxoxo de desdém, tentando mascarar minha irritação com a cena que presencio. Uma senhora me encara com a mais pura indignação. Dou às costas e volto a refletir sobre o que estou vendo.
   Digo aqui, sem a menor preocupação com o que poderão pensar os defensores do assunto em questão: NÃO dou esmola. Pelo menos não em dinheiro. E dificilmente alguém me verá fazendo isso. Tranquilamente posso afirmar que, no caso narrado acima, tinha pelo menos uma excelente razão para defender minha teoria. Explicarei agora.
   Sou um ser humano passível de erros como qualquer outro. Portanto, para os que me tomarem por errada, peço minhas sinceras desculpas. Não pensamos da mesma maneira. Eu acredito na igualdade, seja qual for a nossa condição física. Trabalho no centro de Porto Alegre, e todos os dias vejo pessoas com diversas complicações. Indivíduos em situação muito pior do que a vivida pelo sujeito do ônibus. Que, diga-se de passagem, está sempre bem arrumado, é estúpido e grosseiro com todos. Sempre exigindo mais dinheiro, pois ele é cego e não pode trabalhar. Não sei o que o impede além da sua falta de vontade. E sinceramente, estou tão cansada de ouvir essa ladainha... Desde 2008 sempre o mesmo discurso. E quando o homem desce da condução, vai para o primeiro bar que encontra para beber e fumar. Nisso não o culpo, jamais disse que era com o intuito de se alimentar que pedia esmolas. Porém irrito-me mais com as pessoas que dão, do que com o sujeito. Conheço pessoas deficientes visuais, que se viram incrivelmente bem, trabalham e são felizes. Por que com este tem de ser diferente? Por que não ir à luta? E não venha me alegar pena, quando vejo crianças com menos de cinco anos vendendo bugigangas sob a supervisão severa dos pais. Isso sim é digno de piedade.
   Graças a Deus meu corpo é perfeito, sem nenhuma deficiência. Por isso posso dizer que não sei como é ser cego, surdo, paraplégico, enfim. Mas sei que viver da piedade dos outros não é vida, ainda mais quando se é um ser amargurado por ser deficiente. A ponto de pedir esmolas para sustentar seu vício. E sustento fortemente que, ao dar cinco centavos que seja a alguém em perfeitas condições de trabalhar, estás afirmando teu preconceito em relação ao seu eventual estado. Ser portador de necessidades especiais não significa ser doente, tampouco que se necessite extorquir os outros. Para os que defendem que escrevi algo ofensivo, deixo um conselho: Caridade praticamos em casas de assistência social aos necessitados.

Texto de Marcela Bezerra
14/04/2011

Queria...

   uma metralhadora. Que me desculpem os que ainda estão abalados com a tragédia no Rio de Janeiro, mas é o que penso no momento. Não sofro de bullying, não possuo histórico depressivo nem nada do gênero. Só estou cansada de ouvir barbaridades na rua.
   Vejam bem como são as coisas: sou a pessoa menos feminina que conheço na hora de se vestir (e isso jamais afetou minha personalidade feminina, diga-se de passagem). Nada de brincos, maquiagem, sapatinhos fofos... claro, é algo que posso vir a fazer, inclusive já o fiz. Não ando esculhambada também, só afirmo com convicção que jamais poderão me comparar às Barbies que se vêem por aí. Mas vamos à causa do problema que origina esse post.
   Hoje estou vestindo camisa masculina, nada das roupas apertadinhas que detesto. Até aí tudo certo. Então, ao sair da lotérica rumo ao meu local de trabalho, tcharãn! Um SENHOR me diz uma verdadeira gama das suas mais famosas frases de efeito. Digo isto com todo o sarcasmo que consigo reunir, visto que o efeito imaginado na minha mente era o de um tiro de fuzil no encantador homem. São coisas tão nojentas, tão sujas... nem me atrevo a reproduzir aqui alguns dos trechos mais cativantes. Ponho no rosto meu olhar mais terrível, porém de que adianta, se logo em seguida passa um bando de babacas numa van que conseguem ser piores que o vovô tarado? Paciência há muito esgotada, passa um gordinho rindo da minha cara e comenta: "Dá pro gasto mesmo". Até um porrete nessas horas ajudava.
   Devo estar parecendo uma pessoa violenta, não é mesmo? Pois não sou, por incrível pareça. Agora, vai passar anos tendo que ouvir ladainhas de sujeitos boçais. A Paciência uma hora vai pro buraco, desaparece. Nem sempre, nós mulheres conseguiremos levar na esportiva, numa boa. Tem uma hora que simplesmente não dá mais. Muito principalmente se estivermos na TPM. O que aliás, é o meu caso.

Texto de Marcela Bezerra
11/04/2011

Até Onde Vai A Carência

   Quem me conhece sabe que não sou fã do programa Big Brother Brasil. Vi algumas edições durante a minha infância (acabo de lembrar do episódio memorável da conta de telefone, qualquer dia conto por aqui), mas acabei criando noção ao crescer. Dentre as edições que assisti cito a primeira, a segunda, a terceira e a décima, esta última muito pouco. A décima primeira edição, pelo que ouvi falar, está gerando muita polêmica. A começar pela inclusão de uma transexual no reality show. Não consegui assistir uma vez sequer até o fim porque está cada vez mais artificial, sem contar os artifícios usados para conseguir ibope... mas enfim, não é sobre o programa em si que vim falar aqui, embora este tenha sido o estopim para escrever sobre o assunto a ser tratado logo mais abaixo.
   Ontem fui tentar assistir com minha mãe, já que ir para o quarto ler e deixá-la sozinha todo o santo dia pode ser bem chato. Vi algo que me deixou enfurecida, tantas as vezes que o vi acontecer, perto de mim ou não. A participante Maria, pela enésima vez (é o que me contam), tentou "forçar a barra" com o participante Maurício, que tanto se cansou de dizer não para a moça, implorou que ela o deixasse dormir em paz. Dizem que ela corre o tempo todo atrás do rapaz e ele a esnoba. Chegou a humilhá-la mais de uma vez. Logo depois desse último episódio de humilhação sem medidas, ela foi para cima de outro brother. Que situação que pega mal, gente. Não aceitar um "não", deixar de se respeitar.
   Sabem o nome disso? Carência. Tá, tu gostas de alguém, poderia me arriscar a dizer MUITO. Mas esse alguém não te corresponde, nem de longe, nem de perto. Pode até querer tua amizade, ter carinho por ti... e isso ele te deixa bem claro. Tu? Corres atrás dele, fazes de tudo para ficar com ele, te humilhas. E a pessoa se afasta de ti, lógico. Vai te tomar por doente, se duvidar. Isso te faz bem? Não adianta se iludir que "um dia...", mesmo que a pessoa seja daquelas indecisas, será que vale a pena? Acredito que não.
   Passei por uma história parecida com dois amigos meus. A menina vivia para ele, respirava o cara. Eu acredito que ele gostasse muito dela no início, já eram bem amigos antes de ficarem juntos. Porém, o relacionamento não deu certo, ele deixou de gostar dela nesse sentido. Foi honesto, disse que queria manter a amizade com ela. Só que a menina não entendeu. Mesmo durante o relacionamento, quando estava evidente que ele não estava mais afim, ela corria atrás, e corria... Era bem difícil, os amigos tentando aconselhá-la a desistir, que era o melhor caminho. Já vi acontecer o contrário, um amigo meu correr muito atrás da ex-namorada, chegou a fazer uma serenata para a moça na frente do namorado atual. Virou alvo de piadas, porque já era traído por ela com esse namorado antes de levar um "pé na bunda".
   Como havia dito anteriormente, isso tem nome: carência. E muita gente acaba jogando um bom tempo de suas vidas fora, com algo que nem de longe é o fim do mundo. Para começar, não acredito que exista amor não-correspondido. Cada um tem uma pessoa para si em algum lugar, agora se vai encontrá-la ou não, como saber? Pode-se gostar de pessoas, sentir atração por elas, mas amor de verdade vai para um único ser. Tem quem se iluda achando que é diferente.
   Os mais iludidos são os carentes, que PRECISAM ter alguém, não suportam ficar sozinhos. Na verdade, nunca aprenderam a conviver com a solidão. Esquecem que ter amigos é bom, que muitas vezes sua própria companhia pode ser excelente, só querem saber de andar "empencado" em alguém. Esses seres, logo em início de namoro já estão fazendo planos de casar, escolhem nomes dos filhos, netos, animais de estimação. Querem passar o tempo todo ao lado da pessoa, ocupando o mesmo espaço. Vê o outro como um deus absoluto, sem defeito algum. Para evitar brigas, sempre se dão por errados nas discussões, por mais certos que possam estar. Se o relacionamento vai mal, fingem não perceber. Tentam tanto acreditar que está tudo bem, na esperança de convencer o outro a permanecer ao seu lado, que acabam caindo na própria ilusão. Quando finalmente percebem a realidade, caem na depressão.  Agora digam-me: isso é vida? Plena, feliz?
   É maravilhoso ter a quem amar profundamente. Achar a "tampa da tua panela". Mas antes, temos que amar a nós mesmos, nos curtirmos. Antes de sair por aí procurando o "príncipe encantado", que tal aproveitarmos nossa própria companhia? Ter opinião própria, não se preocupar em usar uma roupa que chame a atenção de alguém a não ser  a tua. Não dar satisafação a ninguém do que faz, com a exceção dos pais. Ter espaço para ler teus livros, revistas. Fazer as coisas no teu tempo, e não no estipulado por alguém, que logo vai dizer que está sem tempo  para ti. Ouvir o que tu quiseres, frequentar os lugares que te der na telha. Só abra mão de algo por alguém que te dê valor e te respeite, que te aceite como és realmente. Entendas que viver só de ilusões amorosas é atraso de vida, que aliás é uma só.
   Sugiro que faças uma experiência com tudo isso que citei no parágrafo acima. Além de fazer um bem enorme, vai te preparar muito melhor para futuros relacionamentos. Te mostrará que tu não precisas te abandonar por ninguém, nem mesmo pelo amor da tua vida. Porque afinal, o amor real nos liberta para sermos nós mesmos, e não o parceiro (a).

Texto de Marcela Bezerra
18/02/2011